Cultura

Detox Digital: O Que a Geração Z Está Fazendo Agora

Detox Digital: A Geração Z e o Movimento Feed Zero

Em 2025, um movimento inesperado tomou conta da Geração Z: o detox digital. Jovens nascidos entre 1997 e 2012 estão apagando posts, arquivando fotos e deixando perfis vazios. Pesquisa de setembro de 2024 revelou que quase metade dos jovens entre 18 e 27 anos desejavam que as redes sociais nunca tivessem existido. 50% se arrependem do Twitter, 47% do TikTok e 43% do Snapchat. Mas eles não desapareceram. Festivais lotam praças, exposições de cultura urbana atraem multidões. A Geração Z trocou likes por experiências reais..

O feed zero virou tendência entre jovens praticando detox digital. É a prática de manter perfil ativo no Instagram sem nenhuma postagem pública. Em vez de feed formado pelas melhores fotos, eles priorizam publicações efêmeras como Stories, que desaparecem após 24 horas. A nova moda é postar cada vez menos nas redes sociais, e os motivos vão de preocupação com imagem à cultura do cancelamento.

Aversão à Exposição

Kim Garcia, pesquisadora da Meta, ressaltou que jovens têm aversão à permanência e pegadas digitais. Até meados de 2015, o feed era espaço de compartilhamento livre. Em 2025, um post virou evento que requer preparação psicológica e causa ansiedade. A neuropsicóloga Gleyna Lemos identifica que o fenômeno do detox digital reflete ansiedade social, insegurança e autoimagem fragilizada. Muitos jovens têm medo constante do julgamento alheio, o que pode estar associado à baixa autoestima e perfeccionismo excessivo.

Além disso, especialistas apontam que a pandemia foi um dos motivadores. O uso excessivo da internet durante isolamento gerou ressaca digital. Estudo revelou que 47% dos jovens tomam atitudes sempre pensando no que os outros pensam. A escolha por perfis privados tem a ver com cuidado sobre o que expõem, preferindo postar no close friends e manter perfil fechado.

Brain Rot e Proteção Mental

O termo brain rot, eleito palavra do ano em 2024 pelo Oxford Dictionary, descreve os efeitos que motivam o detox digital: passar horas nas redes sociais consumindo informações rápidas que estimulam dopamina e prejudicam memória, atenção e pensamento crítico. Estudos de 2024 e 2025 indicam que uso excessivo de mídias sociais e inteligência artificial pode diminuir capacidade de reter informações e afetar memória.

A Geração Z, que cresceu com smartphones e TikTok, é particularmente suscetível. Earl Miller, neurocientista do MIT, afirma: "a deterioração cerebral cria um ambiente para o qual não estamos preparados." Pesquisa do McKinsey Health Institute constatou que grande maioria da Gen Z sente medo de perder algo quando desconectada — o FOMO (Fear of Missing Out). Pesquisa revelou que 42,1% dos Zoomers passam entre uma e três horas conectados, enquanto 16,5% passam mais de cinco horas nas redes.

Detox Digital: O Futuro Entre Digital e Presencial

A Geração Z não abandonou totalmente redes sociais através do detox digital, mas transformou forma de usá-las. Priorizam conteúdo temporário, conversas privadas e consumo passivo. Preferem assistir vida de influenciadores em vez de se conectar com amigos.

Por fim, o futuro não é digital ou presencial — é ambos coexistindo em equilíbrio mais saudável através do detox digital. Redes sociais permanecem como ferramentas, mas não como centro da vida. A rua voltou a ser protagonista, palco de identidade e celebração. E Geração Z, através do detox digital, está liderando essa reconquista dos espaços urbanos, uma batida de 808 por vez.

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