Como Michael Jackson inspirou O Show de Truman

Truman Burbank, o protagonista vivido por Jim Carrey em O Show de Truman (1998), não nasceu de um roteiro qualquer sobre vigilância e realidade forjada. Segundo o próprio diretor do filme, ele nasceu, quase literalmente, da vida de Michael Jackson.Em entrevista concedida anos depois do lançamento do filme, o diretor Peter Weir afirmou de forma direta e sem meio-termo: "Você assiste O Show de Truman e, quero dizer, Jim Carrey fez um trabalho fantástico, mas Michael Jackson é Truman. Foi nele que me baseei, e ele é o que mais se aproxima do próprio Truman." Weir foi além, explicando...

Continue lendo

Havaianas: de item popular a símbolo de moda global

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/08/80.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Em 1962, a Alpargatas lançou o primeiro par de Havaianas no Brasil, inspirado na sandália japonesa zori — tira em V, solado de borracha, uma textura na palmilha que imitava grão de arroz em homenagem à raiz oriental do design. A proposta era simples e deliberadamente popular: calçado acessível e durável para a classe trabalhadora, vendido em caminhão, feira e balcão de loja de bairro, distribuído até em kit promocional para fixar a marca fora dos grandes centros.  Por décadas, o chinelo carregou exatamente o estigma que o preço baixo costuma impor no Brasil: item associado ao...

Continue lendo

Skepta e A$AP Rocky: os bastidores de Praise the Lord

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/08/18-2.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Algumas parcerias nascem de reunião de estúdio calculada, agenda de gravadora e roteiro promocional definido com antecedência. Outras nascem de uma noite em Londres em que dois rappers de continentes diferentes decidiram testar, juntos e sem freio nenhum, até onde a criatividade ia sob efeito de ácido."Praise the Lord (Da Shine)" saiu como single em 26 de junho de 2018, faixa do terceiro álbum de estúdio de A$AP Rocky, Testing, com produção e participação de Skepta, o nome mais influente da cena grime britânica. Não era a primeira vez que os dois trabalhavam juntos: a parceria...

Continue lendo

Rio perdeu capital cultural para SP

Rio perdeu capital cultural para SP

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/08/66.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Durante boa parte do século 20, dizer "capital cultural do Brasil" era quase sinônimo de dizer Rio de Janeiro. Bossa nova nasceu em apartamento de Ipanema. O carnaval carioca virou vitrine internacional do país inteiro. A cidade concentrava estúdio de gravação, grande gravadora, imprensa cultural relevante, cena de MPB que definia o que o resto do Brasil ouvia. O eixo estava claramente desenhado, e São Paulo era, na narrativa comum da época, a cidade do trabalho — não da cultura. Essa hierarquia começou a se inverter de forma consistente a partir das últimas décadas, puxada por um fator...

Continue lendo

Fab 5 Freddy: a ponte entre graffiti e arte

Fab 5 Freddy: a ponte entre graffiti e arte

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/08/26.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Antes de o graffiti ser tratado como arte de galeria ou o hip hop virar cultura mundial, alguém precisou literalmente caminhar entre esses dois mundos e apresentar um ao outro. Esse alguém foi Fred Brathwaite, mais conhecido como Fab 5 Freddy: artista, MC e, acima de tudo, conector — a figura que levou o graffiti do metrô do Bronx para as galerias do SoHo, e trouxe a vanguarda artística de Nova York de volta para dentro da cultura de rua.Fab 5 Freddy circulava com a mesma naturalidade entre pichadores do metrô e artistas como Jean-Michel Basquiat...

Continue lendo

Como a A24 virou uma marca de cinema cultuada

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/17-4.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Em 2012, três executivos — Daniel Katz, David Fenkel e John Hodges — fundaram em Nova York uma distribuidora cinematográfica sem estúdio próprio, sem franquias estabelecidas, sem o suporte de nenhum dos grandes conglomerados de mídia que dominam o mercado americano. O nome da empresa veio de uma autoestrada italiana, a A24, que Katz havia percorrido numa viagem e que não tinha nenhum significado particular além de soar bem. Nenhum manifesto foi publicado. Nenhuma visão grandiosa foi declarada. Apenas o trabalho de escolher, adquirir e distribuir filmes que outros passavam.Onze anos depois, a A24 havia vencido...

Continue lendo

Tecnobrega e a pirataria como modelo de negócio

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/2-4.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Em algum momento do início dos anos 2000, os produtores de tecnobrega em Belém do Pará fizeram algo que nenhuma gravadora do mundo havia conseguido fazer: resolveram o problema da pirataria. Não resolveram procesando, não resolveram com DRM, não resolveram com lobby junto ao Congresso. Resolveram mudando completamente a lógica do que significava 'vender música'. E a solução foi tão elegante, tão eficiente e tão óbvia em retrospecto que o fato de a indústria global ter levado mais uma década para chegar a uma conclusão vagamente parecida é um testemunho da profundidade da cegueira corporativa.O tecnobrega...

Continue lendo

O que o cinema iraniano dos anos 90 ensinou ao mundo

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/18-3.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Existe uma cena em Onde é a Casa do Meu Amigo?, de Abbas Kiarostami, que dura vários minutos e mostra apenas um menino percorrendo um caminho de terra num vilarejo do norte do Irã. Nada acontece, no sentido convencional de 'acontecer' no cinema. Nenhuma informação nova é revelada. Nenhum personagem entra em quadro. Nenhum diálogo é dito. A câmera acompanha o menino com paciência quase meditativa, e o que a paisagem conta — as linhas sinuosas do caminho, a luz do fim da tarde, o ritmo dos passos de uma criança que tem um objetivo mas...

Continue lendo

Kuduro e Afrobeats: O Som da Diáspora Africana no Brasil

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/5-3.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Há algo acontecendo nas periferias do Brasil que ainda não recebeu o nome certo. Um deslocamento sonoro silencioso, gradual, que está reescrevendo os códigos da festa popular e reorganizando as filiações culturais de uma geração inteira. Não é um movimento com manifesto, com líder ou com data de fundação. É uma conversa — às vezes consciente, às vezes instintiva — que o Atlântico Sul vem travando há décadas, e que agora está ficando suficientemente alta para que quem queira ouvir não precise mais se esforçar muito.O kuduro é talvez o fio mais visível dessa trama. Nascido...

Continue lendo

Como a Zara aprende com a moda de luxo em semanas

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/2-3.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Existe uma palavra para o que a Zara faz, mas a indústria da moda construiu ao longo de décadas um vocabulário alternativo que suaviza o desconforto de usá-la. A palavra é cópia. Os eufemismos preferidos são 'inspiração', 'tendência interpretada', 'democratização do estilo', 'versão acessível'. Mas quando uma peça sai da passarela de uma grife de luxo em fevereiro e aparece numa loja Zara em abril, traduzida em poliéster a um quinto do preço original, o debate semântico parece honesto por apenas alguns segundos antes de revelar sua função: proteger uma prática economicamente vantajosa do escrutínio ético...

Continue lendo