Em outubro de 1993, no topo absoluto do esporte mundial, tricampeão consecutivo da NBA e o nome mais reconhecível do planeta em qualquer modalidade, Michael Jordan anunciou aposentadoria. A razão pública foi simples: tinha perdido motivação depois de conquistar tudo que havia pra conquistar, e o assassinato do pai, James Jordan, meses antes, reordenara completamente as prioridades dele.
A decisão seguinte segue intrigando quem estuda a carreira dele até hoje: Jordan não só parou de jogar basquete, como assinou contrato com o Chicago White Sox e foi jogar nas ligas menores pelo time afiliado Birmingham Barons, no Alabama. A escolha não era aleatória: Jordan sempre contou que aquele era o esporte favorito do pai, e que os dois tinham sonho, nunca realizado, de vê-lo jogar profissionalmente. Diante da perda recente, voltar ao esporte que definia a relação dos dois carregava peso emocional muito além de qualquer cálculo de carreira.
O resultado técnico foi modesto: Jordan bateu média de rebatidas de .202 na temporada de 1994 pelos Barons, número fraco mesmo pros padrões de liga menor, com quantidade alta de erros defensivos. É exatamente esse detalhe que torna a história mais reveladora do que qualquer estatística sugere: o maior jogador de basquete de todos os tempos aceitou publicamente ser mediano — até ruim — numa modalidade diferente, sem garantia de sucesso, motivado por luto e por promessa não cumprida ao próprio pai. A temporada de beisebol expôs Jordan a um tipo de vulnerabilidade pública que ele nunca precisou enfrentar durante os anos de domínio no basquete.