Música

Shoegaze Brasileiro: Bandas Nacionais Resgatando o Som dos Anos 90

O shoegaze nasceu na Inglaterra no final dos anos 80, caracterizado por guitarras etéreas submersas em reverb e delay, vocais enterrados no mix e atmosferas sonhadoras. O termo originou-se da postura dos músicos nos shows, olhando constantemente para baixo operando pedais de efeito. Bandas seminais como My Bloody Valentine, Slowdive, Ride e Lush criaram paisagens sonoras densas onde guitarras se transformavam em texturas envolventes.

Ressurgimento Global

O gênero praticamente desapareceu durante o domínio do grunge e britpop nos anos 90. O ressurgimento começou discretamente nos anos 2000, mas a explosão real veio na década de 2010 com reuniões de My Bloody Valentine e Slowdive. Plataformas de streaming permitiram que gerações mais jovens descobrissem catálogos clássicos, gerando interesse renovado globalmente.

O Cenário Brasileiro Atual

No Brasil, o shoegaze sempre teve presença cult mas marginal nos anos 90. O ressurgimento contemporâneo é diferente, com dezenas de bandas emergindo em diferentes cidades e festivais dedicados ao gênero. Boogarins de Goiânia funde shoegaze com psicodelia tropical, criando híbrido único. Terno Rei também experimentou com elementos do gênero, demonstrando sua penetração no indie brasileiro.

Porque esse som está sendo resgatado?

A estética de introversão ressoa com geração crescida em isolamento digital e ansiedade política. A democratização da produção musical permite que bandas alcancem qualidade sonora anteriormente impossível. Plugins de reverb e delay estão disponíveis gratuitamente, enquanto tutoriais online ensinam técnicas específicas do gênero.

O streaming criou educação musical instantânea. A cena global tornou-se conectada através de Bandcamp, Reddit e Facebook, com músicos brasileiros participando ativamente da comunidade internacional.

O futuro e desafios do gênero

O gênero permanece nicho, com audiências limitadas. Shows pagam pouco e a falta de infraestrutura de touring limita alcance. A barreira linguística complica penetração internacional, já que muitas bandas cantam em português.

Apesar dos obstáculos, o shoegaze brasileiro está consolidando identidade própria. Blogs internacionais cobrem regularmente lançamentos brasileiros, bandas são convidadas para festivais na Europa e Ásia. O que começou como importação cult transformou-se em movimento genuinamente brasileiro, provando que boa música transcende fronteiras quando artistas se apropriam de influências e as transformam em algo novo.

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