A morte da crítica cultural

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/21-1.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Em 2008, o Los Angeles Times, um dos jornais americanos com maior tradição de cobertura cultural, anunciou que encerraria o caderno Book Review — uma publicação semanal independente dedicada exclusivamente à crítica literária, que havia funcionado por décadas como uma das vozes mais influentes na formação do gosto literário americano. Em 2010, o Village Voice, o semanário alternativo de Nova York que havia formado gerações de críticos de música, artes visuais e cinema, demitiu quase todo o seu quadro de jornalistas e críticos culturais. Ao longo da mesma década, variações da mesma história se repetiram em...

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Como a Supreme inventou o hype drop

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/19-2.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Em abril de 1994, numa esquina da Lafayette Street em Manhattan, abriu uma loja de skate que não era apenas uma loja de skate. O espaço era pequeno — pouco mais de 60 metros quadrados — e foi projetado por James Jebbia, seu fundador, com uma atenção ao detalhe que era incomum para o tipo de negócio que pretendia ser. Os produtos estavam expostos nas bordas do espaço, com o centro da loja deixado livre — um convite implícito para que os skatistas usassem o próprio espaço como ponto de encontro e não apenas de consumo....

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O retorno do zine: por que ela está voltando na era do scroll infinito

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/2-2.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Existe algo subversivo em segurar um pedaço de papel com as mãos hoje. Não porque papel seja raro — é porque atenção é. Vivemos num ambiente de comunicação construído para maximizar o tempo de tela, onde cada aplicativo compete pelo mesmo milissegundo de foco com mecanismos de design cada vez mais sofisticados. Nesse contexto, uma publicação que exige que você a retire de um envelope, abra, segure e leia — sem notificação nenhuma, sem sugestão de próximo conteúdo, sem algoritmo orientando a experiência — é uma proposição radicalmente diferente de tudo que está na tela. O...

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A ascensão do ‘slow fashion’ africanos

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/9-1.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Enquanto o debate ocidental sobre sustentabilidade na moda continua girando em torno das mesmas marcas escandinavas de linho orgânico e das mesmas coleções de 'cápsula' em paletas neutras, uma outra conversa acontece simultaneamente em Lagos, Nairóbi, Dakar, Acra e Joanesburgo — e ela é mais radical, mais tecnicamente sofisticada e historicamente mais profunda do que qualquer coisa que a moda 'consciente' do Norte Global produziu. O problema é que o sistema de atenção da indústria da moda global foi construído com um mapa que coloca Paris, Milão, Nova York e Londres no centro. Tudo que acontece...

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Coltrane, Kuti e Pascoal: os músicos que reinventaram o jazz

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/1-1.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Existe um tipo de música que não se ouve apenas com os ouvidos. Que exige uma disponibilidade específica — não de análise, não de fruição passiva, mas de algo mais parecido com entrega. Que opera em dimensões que a teoria musical ocidental nomeia com dificuldade porque as categorias que essa teoria usa foram construídas para outro tipo de experiência. John Coltrane, Fela Anikulapo-Kuti e Hermeto Pascoal produziram músicas desse tipo, cada um a partir de uma tradição radicalmente diferente, cada um respondendo a contextos históricos específicos, e o que eles têm em comum é mais iluminador...

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A mulher que inventou o videoclipe

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/18-1.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} As histórias oficiais do videoclipe costumam começar no mesmo lugar: 1 de agosto de 1981, às 12h01 da manhã, quando a MTV foi ao ar nos Estados Unidos com Video Killed the Radio Star dos Buggles. É um marco conveniente, narrativamente satisfatório, fácil de ancorar num momento e num lugar específicos. É também, como a maioria dos marcos históricos que elegemos com tanta facilidade, uma simplificação que apaga décadas de experimentação anterior e, especificamente, apaga o trabalho de mulheres que foram centrais no desenvolvimento da linguagem visual da música popular antes que ela tivesse um nome...

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Black Rio e o dia em que o Brasil olhou para si mesmo

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/13.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} No fim dos anos 1970, enquanto a ditadura tentava calar a voz das ruas, bailes funk e soul no Rio de Janeiro construíram uma consciência negra que o samba oficial nunca quis ter Era o Brasil da ditadura, do "milagre econômico" e da censura. E nos subúrbios do Rio, milhares de pessoas negras dançavam soul americano e começavam a entender quem eram.O movimento Black Rio não nasceu de um manifesto. Nasceu de um baile. No fim dos anos 1960 e começo dos 70, equipes de som como a Soul Grand Prix, a Cashbox e a Dynamic Soul...

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Ferrez e o que os livros não te contam sobre a favela

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} "A literatura brasileira sempre soube descrever a pobreza. O que ela nunca soube foi deixar a pobreza falar".  Por décadas, o pobre nas letras brasileiras foi personagem. Objeto de análise, de compaixão, de curiosidade antropológica. Escritores das classes médias e altas construíram narrativas sobre o morro, sobre a favela, sobre o sertão — com talento, às vezes com genialidade — mas sempre de fora. A câmera estava do lado de cá. Os retratados, do outro lado do vidro.Ferrez mudou o ângulo. Nascido e criado no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, ele não veio até a...

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Basquiat e Warhol — duas solidões, uma tela

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Capa-Site-4.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} O menino do Brooklyn que pichava paredes e o rei pop de Pittsburgh. Em 1982, eles dividiram um estúdio, uma fama e talvez muita coisa que nenhum dos dois soube administrar. Jean-Michel Basquiat tinha 21 anos quando entrou pela primeira vez na Factory de Andy Warhol. Já tinha exposições, já tinha reconhecimento nos círculos de vanguarda nova-iorquinos, mas ainda era considerado jovem demais, cru demais, perigoso demais para o establishment da arte. Warhol tinha 54 anos, era uma instituição viva, e estava, segundo muitos críticos da época, numa fase de declínio criativo. O encontro dos dois mudou...

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A Igreja que colocou o mic na mão do gueto

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/26.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} O gospel e o hip hop parecem, à primeira vista, mundos opostos. Um fala de Deus, o outro da rua. Um soa em corais, o outro em sound systems. Mas a separação entre eles sempre foi mais estética do que real. Os dois nasceram do mesmo lugar: a experiência negra diante da dor, da exclusão e da necessidade urgente de contar a própria história antes que outra pessoa o fizesse. O gospel americano tem raízes no spirituals — cantos que os africanos escravizados usavam para comunicar, resistir e sobreviver. Não era só música religiosa. Era código. Era...

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