Gilberto Gil e Bob Marley: uma conexão à distância

É uma das relações mais intensas da música brasileira com um artista estrangeiro — e, ao mesmo tempo, uma relação que nunca aconteceu pessoalmente. Gilberto Gil e Bob Marley nunca se encontraram. Não existe registro de aperto de mão, sessão conjunta, sequer conversa por telefone. E ainda assim, poucos artistas brasileiros dedicaram tanto da própria obra a homenagear, traduzir e absorver a música de um único ídolo estrangeiro quanto Gil fez com Marley.  O primeiro contato de Gil com o reggae aconteceu durante o exílio político em Londres, no início dos anos 1970, quando ele frequentou a região de Notting...

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Dickies: de uniforme de operário a base do streetwear

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/08/74.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Em 1922, dois primos texanos, C.N. Williamson e E.E. "Colonel" Dickie, fundaram uma empresa no Texas para vender macacão resistente a trabalhadores de rancho na região de Fort Worth. A Dickies nasceu com um único objetivo: roupa de trabalho barata, durável e sem nenhuma pretensão de moda — o tipo de peça pensada para aguentar jornada inteira de sol, poeira e esforço físico sem rasgar. Durante a Segunda Guerra Mundial, a empresa se voltou para a produção de milhões de uniformes militares, consolidando de vez a reputação de resistência industrial que a marca carrega até hoje.  O...

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Quincy Jones: o produtor que moldou o pop mundial

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/08/12-1.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Existe uma forma de contar a história da música popular do século 20 sem citar um único cantor — basta seguir a discografia de um homem só. Quincy Jones começou a tocar trompete aos 14 anos, numa banda de bairro em Seattle ao lado de um garoto dois anos mais velho chamado Ray Charles. Aos 23, já era diretor musical da orquestra de Dizzy Gillespie. Décadas depois, tinha acompanhado Elvis Presley em suas primeiras aparições de TV, feito arranjo para Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan, dividido palco com Charlie Parker e Miles Davis, e se tornado,...

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Ashita no Joe: o mangá que virou grito de rebelião

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/08/10-2.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Existe um mangá de boxe que, num dia de 1970, foi gritado como palavra de ordem por sequestradores armados dentro de um avião comercial. Poucas obras de ficção já tiveram sua mensagem levada tão literalmente ao mundo real quanto Ashita no Joe (Tomorrow's Joe).Criado pelo roteirista Asao Takamori e pelo desenhista Tetsuya Chiba, publicado semanalmente na revista Weekly Shōnen Magazine entre janeiro de 1968 e maio de 1973, Ashita no Joe acompanha a trajetória de Joe Yabuki, um órfão vagando pelas ruas de Tóquio que descobre o boxe dentro de um reformatório juvenil, depois de se...

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Alchemist e Prodigy: quase vinte anos de parceria

Alchemist e Prodigy: quase vinte anos de parceria

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/08/141.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Poucas parcerias entre rapper e produtor no hip hop sustentaram quase vinte anos de trabalho contínuo com o nível de confiança mútua que Prodigy, metade do lendário duo Mobb Deep, e The Alchemist construíram ao longo da carreira de ambos.Os dois se conheceram através de uma conexão indireta com DJ Muggs, produtor do Cypress Hill que funcionava, à época, como mentor de Alchemist ainda no início de carreira. Um afiliado próximo do Mobb Deep, ligado ao grupo Big Twinz, recomendou que Alchemist viajasse até Nova York especificamente pra trabalhar com Prodigy — e, segundo relato do...

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Russell Simmons: o arquiteto do império do hip hop

Russell Simmons: o arquiteto do império do hip hop

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/08/19.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Enquanto MCs e DJs construíam a linguagem sonora do hip hop dentro dos parquinhos e block parties do Bronx nos anos 1970, um empresário do Queens estava construindo, em paralelo, a arquitetura de negócios que faltava para transformar aquilo em indústria. Russell Simmons não escreveu rimas nem produziu batida nenhuma que ficou famosa por si — sua contribuição foi outra: ele entendeu, antes de qualquer gravadora tradicional, que o hip hop era um produto cultural com valor comercial real, e não uma moda passageira de bairro.  Em 1984, ao lado de Rick Rubin, Simmons fundou a Def...

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O cinema nigeriano (Nollywood) produz mais filmes que Hollywood.

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/11-3.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Lagos, qualquer dia de 2024. Numa cidade de mais de 20 milhões de pessoas distribuídas por uma megalópole que desafia qualquer planejamento urbano convencional, dezenas de filmes são produzidos toda semana. Com orçamentos que variam entre alguns milhares e alguns milhões de dólares — mas raramente chegam perto dos parâmetros de uma produção americana média — em cronogramas que comprimem em dias o que um estúdio americano levaria semanas para realizar, a indústria cinematográfica nigeriana produz hoje entre 2.500 e 2.800 filmes por ano. Mais do que a Índia. Mais do que os Estados Unidos. Mais...

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O baile charme e a classe média negra que a mídia ignorou

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/9-4.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Nos anos 1980, o Rio de Janeiro vivia uma contradição que a cidade raramente enfrenta com honestidade: enquanto a redemocratização prometia uma sociedade mais igualitária e a efervescência cultural carioca alimentava a ilusão de uma convivência harmoniosa entre mundos sociais distintos, as periferias suburbanas seguiam produzindo vida cultural sofisticada em completo silêncio mediático. Uma dessas vidas se chamava baile charme — e sua história é um dos capítulos mais reveladores sobre o que o Brasil escolhe ver e o que prefere ignorar quando olha para si mesmo.O baile charme não surgiu do nada. Ele é produto...

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Spike Lee e o cinema como ato político

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/5-2.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Quando Spike Lee coloca a câmera num trilho e filma um personagem deslizando pelo espaço como se flutuasse — os pés não tocam o chão, o corpo se move sem fricção com o mundo — ele não está apenas fazendo uma escolha de fotografia. Está construindo uma declaração sobre como aquele personagem existe no espaço: suspenso entre mundos, sem chão fixo, deslocado de uma realidade que nunca foi inteiramente sua. É um recurso técnico que é também uma afirmação filosófica sobre pertencimento, deslocamento e a experiência negra num mundo que foi construído por e para outra...

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O que aconteceu com o cinema de autor dentro do streaming?

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/36.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Em 2018, a Netflix tomou uma decisão que parecia, na época, sinalizar uma mudança de paradigma na indústria cinematográfica: pagou 25 milhões de dólares pelos direitos mundiais de Roma, o filme em preto e branco em espanhol e mixteco de Alfonso Cuarón, filmado no México City da infância do diretor, sem estrela, sem ação, sem estrutura narrativa que se encaixasse em qualquer categoria comercial conveniente. O filme ganhou o Oscar de Melhor Diretor e de Melhor Fotografia. Gerou cobertura de imprensa massiva. E sinalizou, para o mundo da cultura, que as plataformas de streaming estavam dispostas...

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