Black Rio e o dia em que o Brasil olhou para si mesmo

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/13.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} No fim dos anos 1970, enquanto a ditadura tentava calar a voz das ruas, bailes funk e soul no Rio de Janeiro construíram uma consciência negra que o samba oficial nunca quis ter Era o Brasil da ditadura, do "milagre econômico" e da censura. E nos subúrbios do Rio, milhares de pessoas negras dançavam soul americano e começavam a entender quem eram.O movimento Black Rio não nasceu de um manifesto. Nasceu de um baile. No fim dos anos 1960 e começo dos 70, equipes de som como a Soul Grand Prix, a Cashbox e a Dynamic Soul...

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Quem foi Al Diaz — a mente por trás do SAMO

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/2.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} A literatura brasileira sempre soube descrever a pobreza. O que ela nunca soube foi deixar a pobreza falar. No final dos anos 1970, Jean-Michel Basquiat e Al Diaz eram apenas dois adolescentes em Nova York que tinham mais coisas a dizer do que paredes para dizer. Os dois se conheceram na City-As-School, uma escola alternativa em Manhattan, e logo descobriram que a cidade inteira podia ser seu caderno. Nasceu ali o SAMO©, abreviação de Same Old Shit — uma crítica afiada ao conformismo disfarçada de assinatura urbana.O que diferenciava o SAMO de qualquer outro tag da época...

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Ferrez e o que os livros não te contam sobre a favela

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} "A literatura brasileira sempre soube descrever a pobreza. O que ela nunca soube foi deixar a pobreza falar".  Por décadas, o pobre nas letras brasileiras foi personagem. Objeto de análise, de compaixão, de curiosidade antropológica. Escritores das classes médias e altas construíram narrativas sobre o morro, sobre a favela, sobre o sertão — com talento, às vezes com genialidade — mas sempre de fora. A câmera estava do lado de cá. Os retratados, do outro lado do vidro.Ferrez mudou o ângulo. Nascido e criado no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, ele não veio até a...

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Basquiat e Warhol — duas solidões, uma tela

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Capa-Site-4.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} O menino do Brooklyn que pichava paredes e o rei pop de Pittsburgh. Em 1982, eles dividiram um estúdio, uma fama e talvez muita coisa que nenhum dos dois soube administrar. Jean-Michel Basquiat tinha 21 anos quando entrou pela primeira vez na Factory de Andy Warhol. Já tinha exposições, já tinha reconhecimento nos círculos de vanguarda nova-iorquinos, mas ainda era considerado jovem demais, cru demais, perigoso demais para o establishment da arte. Warhol tinha 54 anos, era uma instituição viva, e estava, segundo muitos críticos da época, numa fase de declínio criativo. O encontro dos dois mudou...

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Skate e punk — a mesma raiva, dois pavimentos

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/21.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Nos anos 1970, o skate californiano evoluiu das piscinas vazias e calçadas para o espaço urbano. Ao mesmo tempo, o punk rock emergia como resposta direta ao cenário político e cultural conservador. Bandas como o Black Flag consolidaram um som mais rápido e agressivo, que dialogava com a intensidade física do skate de rua.O vocabulário das duas cenas passou a se sobrepor. O termo "thrash", usado para descrever uma abordagem agressiva no skate, também passou a definir o subgênero mais veloz do punk da costa oeste. Em 1981, essa convergência se materializou com o surgimento da...

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A tatuagem japonesa que o Ocidente romantizou e o Japão proibiu

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/31.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Dragões, carpas, flores de cerejeira cobrindo costas inteiras. A tatuagem japonesa encantou o mundo — ao mesmo tempo em que seu próprio país a tratava como marca de criminoso O irezumi — termo japonês para tatuagem tradicional — tem uma história que precede em séculos qualquer tendência ocidental. Durante o período Edo, entre os séculos XVII e XIX, a prática estava presente em diferentes camadas da sociedade japonesa: marinheiros, bombeiros, artesãos e trabalhadores da cidade usavam tatuagens como marcadores de identidade, de pertencimento a grupos e de devoção espiritual. Era uma linguagem visual com gramática própria, regida...

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40 anos de Jamel Shabazz — o arquivo vivo de Nova York

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/33.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Antes do Instagram, antes dos smartphones, antes de qualquer um falar em "documentar a cultura", Jamel Shabazz já estava na rua com uma câmera e a convicção de que aquelas vidas mereciam ser vistas.  Jamel Shabazz começou a fotografar em 1980, aos 18 anos, com uma câmera que ganhou do pai. O cenário era o South Bronx e o Brooklyn de Nova York — bairros que a mídia da época só visitava para cobrir crime, pobreza e decadência. Shabazz fotografou outra coisa: a dignidade, a elegância e a criatividade de uma juventude que, mesmo cercada por negligência...

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A Igreja que colocou o mic na mão do gueto

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/26.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} O gospel e o hip hop parecem, à primeira vista, mundos opostos. Um fala de Deus, o outro da rua. Um soa em corais, o outro em sound systems. Mas a separação entre eles sempre foi mais estética do que real. Os dois nasceram do mesmo lugar: a experiência negra diante da dor, da exclusão e da necessidade urgente de contar a própria história antes que outra pessoa o fizesse. O gospel americano tem raízes no spirituals — cantos que os africanos escravizados usavam para comunicar, resistir e sobreviver. Não era só música religiosa. Era código. Era...

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Van Life no Brasil: Realidade ou Romantização das Redes Sociais?

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/02/4.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} A van life brasileira explodiu nas redes sociais durante e após a pandemia de COVID-19, com milhares de perfis no Instagram mostrando vidas idílicas de liberdade sobre rodas: pores-do-sol na praia, cafés da manhã com vista para montanhas, trabalho remoto de paraísos tropicais, e uma existência aparentemente despreocupada livre das amarras da vida sedentária urbana. Mas por trás dos feeds cuidadosamente curados existe realidade significativamente mais complexa, cara e desafiadora do que as imagens filtradas sugerem. A van life brasileira é simultaneamente movimento legítimo de busca por liberdade e fenômeno performático criado para consumo nas redes sociais...

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Afrofuturismo: Do Cosmos ao Pop

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/01/5-6.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Sun Ra nasceu Herman Blount no Alabama, coração do Jim Crow. Mas rejeitou essa identidade terrestre. Alegou ser de Saturno, enviado para libertar sua raça através da música. Seu Arkestra tocava jazz de vanguarda com sintetizadores Moog, figurinos espaciais brilhantes e cenografia egípcia. Era performance, ritual e manifesto político disfarçado de show interplanetário. A mensagem era clara: para negros americanos, a Terra nunca foi lar. Afrofuturismo oferecia fuga imaginativa — se o passado foi escravidão e o presente era segregação, o futuro poderia ser outra coisa completamente.George Clinton levou o Afrofuturismo para o funk. Parliament-Funkadelic criou...

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