A morte da crítica cultural

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/21-1.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Em 2008, o Los Angeles Times, um dos jornais americanos com maior tradição de cobertura cultural, anunciou que encerraria o caderno Book Review — uma publicação semanal independente dedicada exclusivamente à crítica literária, que havia funcionado por décadas como uma das vozes mais influentes na formação do gosto literário americano. Em 2010, o Village Voice, o semanário alternativo de Nova York que havia formado gerações de críticos de música, artes visuais e cinema, demitiu quase todo o seu quadro de jornalistas e críticos culturais. Ao longo da mesma década, variações da mesma história se repetiram em...

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Como o baile funk carioca influenciou a cena rave europeia

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/32.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Em algum momento entre 2008 e 2012, algo começou a mudar nos sets de DJs em Berlim, Londres, Amsterdã e Barcelona. Não de forma súbita — de forma gradual, como a mudança de tom numa conversa longa que você só percebe quando para e pensa no que foi dito uma hora atrás. Elementos rítmicos estranhos começaram a aparecer em contextos onde não eram esperados: uma quebrada de tamborim eletrônico num set de dubstep. Uma voz sampledada em português sobre uma base de bass music. Uma estrutura rítmica que escapava do grid regular do house e do...

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O surfe saiu da praia e foi para a passarela

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/4.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Existe um momento preciso em que o surfe deixou de ser uma subcultura de praia e se tornou uma estética global disponível para compra. É difícil fixar uma data, mas o processo estava claramente em curso nos anos 1990, quando marcas como Quiksilver, Billabong e Rip Curl — que haviam começado como fornecedoras de equipamento para surfistas reais — descobriram que havia um mercado muito maior para a estética do surfe do que para o surfe em si. As bermudas largas, as camisas estampadas, os bonés e as sandálias de borracha passaram a ser vendidos em...

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O retorno do zine: por que ela está voltando na era do scroll infinito

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/2-2.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Existe algo subversivo em segurar um pedaço de papel com as mãos hoje. Não porque papel seja raro — é porque atenção é. Vivemos num ambiente de comunicação construído para maximizar o tempo de tela, onde cada aplicativo compete pelo mesmo milissegundo de foco com mecanismos de design cada vez mais sofisticados. Nesse contexto, uma publicação que exige que você a retire de um envelope, abra, segure e leia — sem notificação nenhuma, sem sugestão de próximo conteúdo, sem algoritmo orientando a experiência — é uma proposição radicalmente diferente de tudo que está na tela. O...

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Pixação: arte ou vandalismo? A pergunta errada.

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/7-2.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Toda vez que o assunto pixação entra em pauta em algum veículo de comunicação mainstream, em alguma audiência pública ou em alguma conversa de academia, alguém — com boa vontade ou sem ela — levanta a mesma questão: arte ou vandalismo? A pergunta parece razoável. Ela tem a estrutura de um dilema legítimo, o formato de uma questão em aberto que aguarda análise cuidadosa. Mas é uma armadilha. Porque ela exige que a pixação se justifique dentro de um vocabulário que não é o dela, diante de um tribunal que ela nunca reconheceu como legítimo. E...

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A ascensão do ‘slow fashion’ africanos

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/9-1.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Enquanto o debate ocidental sobre sustentabilidade na moda continua girando em torno das mesmas marcas escandinavas de linho orgânico e das mesmas coleções de 'cápsula' em paletas neutras, uma outra conversa acontece simultaneamente em Lagos, Nairóbi, Dakar, Acra e Joanesburgo — e ela é mais radical, mais tecnicamente sofisticada e historicamente mais profunda do que qualquer coisa que a moda 'consciente' do Norte Global produziu. O problema é que o sistema de atenção da indústria da moda global foi construído com um mapa que coloca Paris, Milão, Nova York e Londres no centro. Tudo que acontece...

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Banksy ainda importa?

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/20-1.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Existe uma contradição estrutural no centro de tudo que Banksy faz, e ele sabe disso melhor do que qualquer crítico de arte. A arte que critica o mercado de arte se tornou o produto mais caro do mercado de arte. A identidade que se constrói sobre o anonimato é hoje o segredo de consumo mais bem gerenciado do mundo da arte contemporânea. A crítica ao espetáculo se tornou um espetáculo global. E a ironia de tudo isso não escapa ao artista — está, de fato, incorporada no próprio trabalho. O que é, ao mesmo tempo, a...

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Coltrane, Kuti e Pascoal: os músicos que reinventaram o jazz

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/1-1.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Existe um tipo de música que não se ouve apenas com os ouvidos. Que exige uma disponibilidade específica — não de análise, não de fruição passiva, mas de algo mais parecido com entrega. Que opera em dimensões que a teoria musical ocidental nomeia com dificuldade porque as categorias que essa teoria usa foram construídas para outro tipo de experiência. John Coltrane, Fela Anikulapo-Kuti e Hermeto Pascoal produziram músicas desse tipo, cada um a partir de uma tradição radicalmente diferente, cada um respondendo a contextos históricos específicos, e o que eles têm em comum é mais iluminador...

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A mulher que inventou o videoclipe

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/18-1.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} As histórias oficiais do videoclipe costumam começar no mesmo lugar: 1 de agosto de 1981, às 12h01 da manhã, quando a MTV foi ao ar nos Estados Unidos com Video Killed the Radio Star dos Buggles. É um marco conveniente, narrativamente satisfatório, fácil de ancorar num momento e num lugar específicos. É também, como a maioria dos marcos históricos que elegemos com tanta facilidade, uma simplificação que apaga décadas de experimentação anterior e, especificamente, apaga o trabalho de mulheres que foram centrais no desenvolvimento da linguagem visual da música popular antes que ela tivesse um nome...

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A NBA dos anos 90 não era um esporte — era uma guerra

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/04/14.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Existe uma versão romantizada dos anos 90 da NBA que circula hoje nas redes sociais em forma de compilações do YouTube com trilha sonora de boom bap e filtro VHS: Jordan voando, Pippen defendendo, Rodman caindo no chão com aquele sorriso de louco. É uma versão verdadeira — e é, ao mesmo tempo, uma versão que limpa o sangue do chão. Porque a NBA dos anos 90 foi também uma liga onde jogadores quebravam o nariz uns dos outros intencionalmente como estratégia defensiva, onde o trash talk era uma arma tão calculada quanto o arremesso, onde...

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