Onitsuka Tiger: a lenda por trás da marca de tênis

Em 1949, num pequeno espaço cedido pelos pais, um ex-soldado japonês de 31 anos começou a fabricar tênis de basquete com as próprias mãos. O Japão estava destruído. A guerra havia terminado quatro anos antes, com as bombas em Hiroshima e Nagasaki, com a rendição incondicional, com a ocupação americana. A infraestrutura do país estava em ruínas, a autoestima nacional estava em colapso, e jovens cresciam num país que não sabia mais o que era. Kihachiro Onitsuka acreditava que o esporte era a resposta. Não como distração, mas como reconstrução. Uma mente sã num corpo são — em latim, Anima...

Continue lendo

Os Piratas do Rádio de Tóquio

No início dos anos 80, Tóquio tinha apenas dois emissores de rádio FM oficialmente licenciados. Para uma cidade de mais de 8 milhões de habitantes, isso era um silêncio ensurdecedor. O que aconteceu a seguir foi uma das histórias mais fascinantes da mídia alternativa do século 20: um movimento de rádio pirata que não operava em alto mar, não fugia da polícia, e não transmitia para todo um país — mas sussurrava para a vizinhança.O "Mini-FM" foi o nome dado ao fenômeno. E nasceu de uma brecha legal específica.A Lei de Regulação de Rádio do Japão, em vigor desde...

Continue lendo

O orelhão que inventou a cultura de rua de Nova York

Antes do celular, antes do pager, antes de qualquer comunicação móvel, existia a infraestrutura mais importante da vida social urbana americana das décadas de 70, 80 e 90: o orelhão.Não é exagero dizer que o telefone público moldou a cultura de rua de Nova York de maneiras que nenhum outro objeto físico conseguiu. Ele era o centro nervoso das redes sociais reais — não as digitais, mas as de carne e osso — que estruturavam a vida em bairros como o Bronx, Harlem, Bedford-Stuyvesant, South Bronx.Entender o papel do telefone público é entender por que certas esquinas se tornavam...

Continue lendo

Guru: a importância dele para o Jazz Rap

Keith Elam cresceu em Roxbury, em Boston, num lar onde o jazz era presença constante. Seu pai era juiz — o primeiro juiz negro nomeado para o Boston Municipal Court — e entusiasta de jazz. Seu padrinho levava o jovem Keith e seus amigos para sentar em frente a "grandes caixas de som" e ouvir jazz em silêncio, como quem recebe uma instrução. As referencias eram Blue Note: Donald Byrd, Roy Ayers, Herbie Hancock.Décadas depois, esse menino se tornaria Guru — Gifted Unlimited Rhymes Universal — e faria algo que ninguém havia feito da mesma maneira: convidaria os músicos...

Continue lendo

Como Lauryn Hill gravou o álbum mais importante dos anos 90

Em maio de 2001, Lauryn Hill deu uma entrevista e disse: "Sou mulher, sou pobre, sapatão, mãe solteira, preencho todas as lacunas." Estava falando sobre si mesma mas também sobre as categorias que a sociedade usa para invalidar pessoas — e sobre como havia decidido, em vez de esconder qualquer uma dessas coisas, construir um álbum inteiro a partir delas.Três anos antes, esse álbum havia entrado na história.The Miseducation of Lauryn Hill foi lançado em 19 de agosto de 1998 pela Ruffhouse Records e Columbia Records. Gravado após o hiato dos Fugees, o álbum foi quase inteiramente escrito e...

Continue lendo

Yvon Chouinard: o bilionário que doou a Patagonia

Em setembro de 2022, o fundador da Patagonia abriu o site da empresa e publicou uma carta. O título era direto: A Terra é agora nossa única acionista. O texto anunciava que ele, sua esposa e seus dois filhos tinham aberto mão de todas as suas ações da empresa — avaliada em 3 bilhões de dólares — transferindo-as para uma organização sem fins lucrativos dedicada a combater as mudanças climáticas.Yvon Chouinard tinha 83 anos e estava abrindo mão de uma fortuna para preservar uma missão. Chouinard não começou como empresário. Começou como alpinista. Na década de 1950, ainda adolescente na...

Continue lendo

Cássia Eller: o que ela representou além do rock

Em 29 de dezembro de 2001, às 23h51, Cássia Eller morreu de infarto do miocárdio numa clínica em Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Tinha 39 anos. Naquele ano, havia feito mais de 90 shows. No Rock in Rio de 2001, sua versão de "Smells Like Teen Spirit" foi tão devastadora que Dave Grohl — o baterista original da música, então vocalista do Foo Fighters — disse que era a melhor versão que havia visto. E então foi até ela e a abraçou no palco.Em maio daquele mesmo ano, numa entrevista, Cássia havia dito: "Sou mulher, sou pobre, sapatão, mãe...

Continue lendo

D’Angelo e Prince: a conexão musical escondida

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/08/32.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Quando D'Angelo lançou Brown Sugar em 1995, aos 21 anos, tocando praticamente todos os instrumentos e assumindo grande parte da produção sozinho, a comparação era inevitável — e o próprio artista nunca escondeu de onde vinha aquela referência. Prince era o modelo declarado: o artista multifacetado, capaz de ser banda inteira dentro de um único corpo, que tratava o estúdio como instrumento tão importante quanto qualquer teclado ou guitarra. Nascido Michael Eugene Archer em Richmond, Virgínia, D'Angelo cresceu numa família de credo pentecostal, onde aprendeu guitarra, teclado, bateria e sopro — o mesmo tipo de formação...

Continue lendo

Apagão de 1977: como ele acelerou o hip-hop

Apagão de 1977: como ele acelerou o hip-hop

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/07/4.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Na noite de 13 de julho de 1977, Grandmaster Caz e seu parceiro Disco Wiz estavam no meio de uma batalha de DJs no Slattery Playground Basketball Courts, no Bronx. A segunda música começou a tocar. O prato desacelerou. Os amplificadores apagaram. O equipamento inteiro morreu."Pensamos que tínhamos sobrecarregado o poste de luz", Caz lembraria décadas depois. Eles ficaram ajustando botões, verificando conexões, tentando entender o que havia dado errado. Então perceberam: as luzes estavam apagando rua abaixo. Uma depois da outra. A cidade inteira estava no escuro.Nova York em 1977 era uma cidade à beira...

Continue lendo

Mike Tyson nos anos 80: o medo vendido como produto

Mike Tyson nos anos 80: o medo vendido como produto

.wd-page-nav .back-to-archive{width:52px!important;height:52px!important;display:block!important;background-image:url(https://coyotemidia.com.br/wp-content/uploads/2026/06/30.png)!important;background-size:cover!important;background-position:center!important;border-radius:3px!important;font-size:0!important;overflow:hidden!important}.wd-page-nav .back-to-archive:before,.wd-page-nav .back-to-archive:after{display:none!important} Antes de Mike Tyson entrar num ringue, a luta já estava ganha. Esse não é um exagero retórico — é uma descrição técnica de como a máquina de marketing em torno do Tyson dos anos 80 funcionava. O medo era o produto, e esse produto foi embalado, distribuído e vendido ao planeta com uma eficiência que poucos atletas da história conseguiram replicar.Tyson nasceu em 1966 no Brownsville, no Brooklyn — um dos bairros mais violentos de Nova York. Aos 13 anos foi recolhido do sistema de detenção juvenil por Bobby Stewart, um ex-boxeador que reconheceu algo...

Continue lendo